Medicina Oral do Sono
Papel fundamental no despiste e diagnóstico da patologia do sono, em particular a de natureza respiratória, como a roncopatia e a apneia obstrutiva do sono. Participação também, quando indicado, no seu tratamento com dispositivos intraorais de avanço mandibular.

Papel muito importante no diagnóstico precoce de toda a patologia do sono, especialmente a de origem respiratória, e no tratamento da roncopatia e apneia obstrutiva do sono, quando indicado, através da utilização de dispositivos intraorais de avanço mandibular.
Apneia Obstrutiva do Sono (AOS)
A apneia obstrutiva do sono (AOS) é o distúrbio respiratório do sono mais prevalente e caracteriza-se por episódios repetidos de obstrução total ou parcial da via aérea superior durante o sono. Estes eventos — apneias e/ou hipopneias — levam a microdespertares que, embora muitas vezes não sejam conscientemente percecionados, fragmentam o sono e comprometem a saúde global.
O colapso faríngeo constitui a causa mais comum da AOS, sobretudo nas fases de sono profundo e REM, quando a musculatura faríngea se encontra mais relaxada. Entre os fatores de risco destacam-se a anatomia craniofacial desfavorável (retrognatia, palato estreito, macroglossia), o excesso de peso, a hipertrofia de tecidos moles, alterações nas vias nasais e o consumo de álcool ou sedativos.
Para além do ressonar intenso, as manifestações podem incluir:
- sonolência diurna excessiva;
- cefaleias matinais;
- diminuição da concentração e da memória;
- irritabilidade;
- despertares asfícticos;
- boca seca ao acordar.
Quando não tratada, a AOS associa-se a complicações cardiovasculares, alterações metabólicas, aumento do risco de acidentes e deterioração significativa da qualidade de vida.
O papel do médico dentista no diagnóstico e tratamento da AOS
O médico dentista com diferenciação em Medicina Oral do Sono desempenha um papel importante no diagnóstico precoce das perturbações respiratórias do sono. A avaliação intra e extraoral permite detetar sinais sugestivos de risco de colapso faríngeo, como retrognatia mandibular, macroglossia, palato mole alongado, hipertrofia amigdalina residual, alterações da respiração nasal, bruxismo e desgaste dentário. A análise da relação intermaxilar, da tonicidade da musculatura perioral e da postura lingual complementa esta observação e permite caracterizar melhor o comportamento dinâmico da via aérea.
Sempre que os achados clínicos suscitem suspeita de AOS, o médico dentista deve proceder à referenciação para poligrafia respiratória ou polissonografia, indispensáveis ao diagnóstico definitivo.
Tratamento com dispositivos intraorais de avanço mandibular (DAM)
É essencial esclarecer que o diagnóstico final de Apneia Obstrutiva do Sono e a prescrição da terapêutica, nomeadamente com dispositivos intraorais de avanço mandibular (DAM) e terapia miofuncional quando indicados, são sempre realizados em coordenação com o pneumologista. O médico dentista intervém na execução, ajuste e monitorização destes dispositivos, integrando obrigatoriamente uma abordagem multidisciplinar.

Os DAM estão indicados para:
- AOS ligeira.
- AOS moderada.
- AOS grave, apenas quando existe intolerância, rejeição ou contraindicação ao CPAP.
Compete ao dentista participar no diagnóstico e integrar a implementação do tratamento ao selecionar o dispositivo intraoral de avanço mandibular a utilizar, realizar a confeção personalizada, ajustar progressivamente a protrusão mandibular e controlar possíveis efeitos secundários, como alterações oclusais ou desconforto temporomandibular. A resposta clínica é monitorizada em articulação direta com o pneumologista, que valida a eficácia através de novos estudos de sono quando necessário.
Resultados esperados do tratamento com DAM
Quando corretamente indicado e monitorizado, o tratamento com DAM pode proporcionar:
- redução significativa do índice de apneia-hipopneia (IAH);
- melhor permeabilidade da via aérea superior durante o sono;
- diminuição do ressonar;
- redução dos despertares noturnos e melhoria da qualidade do sono;
- menor sonolência diurna e melhoria da função cognitiva;
- aumento da vitalidade e da qualidade de vida;
- melhor adesão terapêutica, por ser uma opção confortável e bem tolerada por muitos doentes.
Abordagem multidisciplinar
O tratamento eficaz da AOS depende de uma colaboração estruturada entre várias áreas, que podem incluir:
- Pneumologia — diagnóstico, prescrição terapêutica e monitorização dos resultados.
- Medicina Dentária — participação no diagnóstico dos transtornos do sono, em particular os de origem respiratória, e intervenção na implementação da terapêutica através da execução e acompanhamento da adaptação e resultados dos DAM quando indicados.
- Fisioterapia da ATM — papel fundamental na boa adaptação dos pacientes ao dispositivo intraoral de avanço mandibular.
- Terapia da Fala — terapia miofuncional para fortalecimento e tonificação da musculatura faríngea, essencial como complemento do DAM no tratamento da AOS ligeira e moderada e para manutenção dos resultados do tratamento.
- Otorrinolaringologia — avaliação das vias aéreas superiores e tratamento de alguns tipos de obstrução nasal ou faríngea.
- Nutrição — intervenção no peso corporal, quando indicado.
- Medicina Interna / Cardiologia — gestão de comorbilidades associadas.
- Cirurgia Maxilofacial — abordagem cirúrgica para correção de alterações esqueléticas significativas que contribuam para o estreitamento da via aérea.
Esta interação multidisciplinar assegura diagnósticos precisos, terapias ajustadas ao perfil do doente e maior adesão aos tratamentos.
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